Evento “caminhos da adoção” reúne grande público e promove incentivo à prática
 

Evento “caminhos da adoção” reúne grande público e promove incentivo à prática

Dez anos se passaram desde que o Conselho Nacional de Adoção (CNA) e o Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA) foram implantados no Brasil. Nos primeiros três anos, cerca de 04 mil adoções foram realizadas no país, mas esse número caiu com o passar do tempo. O maior desafio atualmente é aproximar as crianças dos candidatos a pais, quebrando estereótipos. Em 2017, um projeto de lei foi aprovado pelo Senado (Nº 3509/2017), defendendo menores períodos entre cada passo do processo. Assim, surge uma esperança para quem deseja um lar e pais que esperam seus filhos. Visando a relevância do tema e a proposta trabalhada, na noite desta quinta-feira (13/09) a Comissão Especial da Criança e do Adolescente da Subseção de Bagé (CECA/OAB Bagé) realizou evento sobre os “Caminhos da Adoção”, que contou com toda a rede envolvida no processo, advogados/advogadas e comunidade em geral. Cerca de 140 pessoas estiveram presentes no Centro de Convívio Pres. Carlos Limberger, regadas a muita emoção, troca de aprendizados e experiências.

Partindo do pressuposto de casos a nível nacional, Bagé está andando. E andando a passos largos. No primeiro período de 2018 foram realizadas, praticamente, dezenove adoções, sendo finalizados 04 processos e estando 15 crianças em estágio de convivência. Na Comarca, atualmente 59 cadastros estão ativos, dentre eles heterossexuais, homoafetivos e pretendentes individuais.

A coordenadora do Grupo de Apoio a Adoção em Bagé (GAAB), Renata Hernandez Lindemann, explanou sobre os processos de adoção de seus dois filhos, comovendo e porque não plantando a semente da possibilidade em cada um dos presentes. "A nossa história começa em dezembro de 2016, quando tivemos o primeiro encontro com nossos filhos. A pergunta que eu e meu marido fazíamos era ‘Será que eles acham que somos o pai e a mãe deles tanto quanto achamos que eles são os nossos filhos?’”.

No período atual encontram-se acolhidas 26 meninas –entre a faixa etária de recém-nascida até 17 anos de idade- na Casa da Menina; 08 meninos –entre a faixa etária de 01 a 09 anos de idade- na Casa do Guri e 08 adolescentes –de 12 a 17 anos- na Casa do Adolescente.

Perguntado sobre as ações que a comarca de Bagé busca adotar para atender os prazos da destituição e habilitação para adoção, o Juiz da 2ª Vara Criminal, Dr. Cristian Delabary, diz que “Tanto o processo de destituição quanto o processo de habilitação para adoção tem seus andamentos diferenciados, sendo que a destituição tem seu andamento em torno de seis meses, resguardando-se o prazo recursal. Quanto à habilitação, como esta Comarca é atendida pelo Núcleo da Urcamp, o qual possui demanda superior a sua capacidade de atendimento, foram tomadas medidas para agilizar, como nomeação de psicólogas para elaborarem o parecer psicológico”.

Apesar de ser reconhecido por lei, a questão do apadrinhamento afetivo ainda não se encontra ativo na região. Contudo, trata-se de um programa de aplicação avaliada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) e também por esta Comarca, visando sua implementação, de forma adequada e satisfatória à demanda.

No intuito de contribuir para construir uma sociedade mais justa e equilibrada, que promova o bem-estar de crianças e adolescentes, a OAB Subseção Bagé, através de seu Presidente, Dr. Marcelo Marinho, reiterando os trabalhos da CECA, pretende colaborar no sentido de tornar público os problemas enfrentados pelas crianças que esperam pela adoção, e pelas pessoas que pretendem adotar. “Nosso compromisso é incitar o diálogo entre os poderes a fim de conscientizar e mostrar formas e caminhos para adoção, reafirmando o papel da OAB e das comissões perante a cidadania. Aproveito o ensejo para parabenizar a organização do evento, este que contempla a vasta programação que vem sendo feita este ano em comemoração aos 85 anos de instalação da Subseção de Bagé da Ordem dos Advogados do Brasil”, comenta.

“Sobre o evento, só temos a agradecer, pois Bagé atendeu ao nosso convite e lotou a Casa do Advogado”. Desta forma, a coordenadora da Comissão e uma das promotoras do evento, Dra. Grasiela Soares, inicia seu depoimento sobre a noite que tanto acrescentou conhecimento e atenção à bandeira levantada pela CECA. “Durante a noite cada participante do diálogo sobre o tema deu sua contribuição, demonstrando o que cada um faz no processo de adoção. Através de dados estatísticos fornecidos pela Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Bagé, constatou-se que a cidade só vem evoluindo nesta questão, visto que o tempo não para e a cada dia que uma criança permanece numa casa de abrigamento, mais distante fica à possibilidade de ter uma nova família, já que a maioria dos habilitados para adotar preferem crianças até 03 anos”. A advogada define o evento como instrutivo e emocionante. “A leitura da carta de uma adolescente abrigada que está prestes a seguir sua vida no seio de uma nova família e o depoimento de uma mãe que passou pelo processo de adoção, demonstraram, desde o início do evento, que a noite seria de muita emoção”, relata. “Quanto a nossa Comissão, sabemos que não tem como esgotar este tema, mas desde já informamos que teremos mais eventos pela frente, visto que são de suma importância para trazer esclarecimento e transparência do trabalho realizado pela rede a toda comunidade. Agradecemos a Dra. Liliane Deble (Defensoria Pública do Estado); Everaldo Cruz (Conselheiro Tutelar); Aline Silveira (Casa da Menina); Marília Centeno (Casa do Guri); Renata Lindemann (Grupo de Apoio a Adoção em Bagé – GAAB); Ildamar Martinez (Conselho Municipal da Criança e do Adolescente – COMDICA) e toda plateia que prestigiou o nosso evento”, encerra.




“Eu achei que nenhuma família iria me adotar, porque eu era adolescente, mas Deus me deu uma família. Espero viver o resto da vida com esta família. Minha oportunidade vai chegar. Fico triste por ver as outras meninas irem embora, e eu não. Espero que entendam o que eu sinto. Ter uma família é a melhor coisa do mundo”. (Maria [nome fictício], 2018, aguardando os últimos trâmites da adoção).






   
 



 
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